quarta-feira, 25 de abril de 2012

imantar

garoa
imanta
floresta
densa
densa solidão
vastidão
amplificação
retida

domingo, 1 de abril de 2012

vir a ser

chumbo manhã
chumbo canto
pássarolado cantar
quando amanhecer
vir a ser
já estará tombado
pelo canto
do bem-te-vi

canto cru
cruel por tão cru
por tão vivo
e no vir-a-ser
deixo de escrever
para sobreviver
sem mim
bem-te-vi.

rasante

quão mais profundo
quão mais raso

acalentar
pelo espelho do mundo

e ao mar
lançar anzol esperançoso

de palavra mera
e de chuva sobre as ondas

do alto do precipício;
palavra

de onde estou.

e pouco a pouco amanhece
e gaivotas rasgam-na

em rasantes mortais
primeiros.

sexta-feira, 30 de março de 2012

farol

no contentamento do vento
noturno
dia se foi.
rosto na pétala do dia
brilhava ainda a lua
apagou.
apagam-se estrelas
quando embruma
brilho do sol.
apaga se olhar:
cores do dia:
luz de farol.

quarta-feira, 21 de março de 2012

chorando sob o lazuli

sob o diamante lazuli
rompe o ar da noite
engole a mata
densa
densa dor
minha e do mundo todo
sob meu e do mundo todo
lazuli do céu

domingo, 4 de março de 2012

manhã 2

pássaros primeiros
acendem
em tom fechado
a luz primeira
fechada
de um céu nublo
contra mata
fechada
de tom escuro
mas tudo cai
aos poucos
num véu
absorvido
de maneira
crua
límpida
e escura.

manhã

despertar
retinas
e corrente
sanguínea
o que nos expira
e designa
que a vitalidade
corpórea
perdure
a duras impressões
da realidade
crônica
e arvoredos vibram em folha
mostrando alegremente
que independem de nós.