quinta-feira, 7 de julho de 2011

algures

escrever
aprofundar-se
nos olhos da alma
na escuridão do silêncio
leia-se brilho luminoso
puríssimo
e amar
dependendo apenas de
despender
libertar
fazer
de a mais pura limpidez
o cais
onde um quarto crescente se faz
algures.

schwanenfedern

a alegria
se anuncia
a qualquer hora do dia
até mesmo quando nenhum pássaro pia
ou ainda pôs-se a cantar.
asas de candura e liberdade
anunciando em silêncio
a passagem do pássaro pelo átomo do ar,
mas este não sabe que o faz;
nem tanto ao pássaro
nem tanto ao céu.
amplo e solitudinal ato
inconcebível a ele,
razante na força,
na pureza,
e ainda assim lírico.

domingo, 3 de julho de 2011

sem poema

aquário;
minha cidade

aquário de montanhas

sol sob o signo de peixes

luz sob o signo de o que seja

chove tanto

porquanto

quase morro afogado

sexta-feira, 1 de julho de 2011

insônia mediterrânea

dionisiaca
insonia
saudade das vidas passadas
saudade do mediterrâneo
saudade de Xenofonte
divagar
sinto-me preso sob teu olhar
teu olhar meu
me sinto livre sob teu olhar meu teu
planejo matar quem te faz mal
quebrar pratos de amor
isto não deixa de ser
morte
grega morte
grécia não passa por trânsito astrológico propício
à ruína desta civilização
divagar
eterno é o mar
insonia mediterrânea
vinho literal atravessa a garganta.

matinal ainda noite

é bem tarde
chuva nos corações a saudade
molha as putas rameiras à beira da ramagem
guitarras
e metal sob travesseiros suaves
plumagens
sonhos
a palavra é simples
mas a vida
atenciosa e verdadeira,
é bem tarde,
leia-se quatro da ramagem
da matinal ainda noite saudade.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

texto ruim de blog

o que você acha que seu texto ruim
pseudo-filosófico
anotação de cunho neurótico
narcísico
água espelhada vazia
sua admiração por mim
não me diz respeito
isso te frustrou
não espero que reconheça
o que você acha que seu texto ruim
causa em mim
além de contaminação maléfica
acho que desaprendi a escrever.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

diluição

maldiga minha escrita
mas não transcreva minha escrita
sem a alma
sem o amor
sem a viscera
sem a verdade que for
nem tampouco sem a dor
da navalha
na carne da palavra
no cerne
da coisa

no nada

nada este
impregnação da palavra
não mera contrafação da mesma
pois então não o dilua
se você o faz de maneira crua
eu o refaço de maneira
orgânica
na contramão
de tua idealização
pura ilusão literária
ou mesmo mera diluição.