segunda-feira, 6 de junho de 2011

chuva ou linguagem?

chuvas
são como versos
sem palavras
esvaziar o verso
é como chuva
portanto
isto que se
chama de texto
só não
materializa chuva
porque não tem água
mas posto que a palavra
seja tanto aquática
quanto elementar
isto é, seja linear,
partícula chuvosa,
então,
isto é chuva.

a voz da lua

esperei ao pé do telefone
seu nome

lua nova se pôs bronze

fina
canoa
varando
na noite

alta no ar

suspensa no móbile

da madrugada

pura

embora crua

posto que nenhuma
estrela

portanto escura

ouço sua voz

bem longe.

por teus olhos

as ondas quebram no campeche
eu sei
por ouvir por ti
o que importa
o que teus olhos azuis não vêem
na escuridão das ondas da noite
as ondas que se quebram no campeche
e o versejo que quebra na garganta
chama teu nome
por teus olhos
o mar faz-se bravio
pela noite que anuncia
a madrugada bravia
na velocidade da noite
transformando a tudo
- alma do mundo -
na órla dos teus olhos.

primaveril

a primavera
nos fará
o que fará
com as cerejeiras
e às flores primeiras
sob infinitas cores
do meu amor.
esta nota
não é romântica
nem só pra ti
é promessa
de porvir
de sol primaveril
sob blues
sob wonder em manhãs
frias de sol
limpidez de céu
azul
azul dos teus olhos
negros
refletidos
na palma do céu
para a palma
da página
do meu peito.

sábado, 4 de junho de 2011

o blues da alma de um amor

me diz se você se entrega
se susurra
as promessas de outrora
o blues da alma de um amor
nunca acabou
choro deixou
agora
só lágrimas dentro
eu repenso
nas promessas, sem rancor
mas ainda lembro
das juras de amor
não posso mais entregar
regredir
voltar a nós
porque isto fará levar minha sanidade embora
junto às ondas deste blues,
eu sei.

no verso

ondas quebram em rochas
sob o parapeito da memória
queria fazer o poema mais lindo
chegar ao inatingível
não por requintes de literatura sê-lo
mas pelo requinte de no verso tê-lo
pra mim.

vital

a tarde vai caindo
e vai caindo o piar dos pássaros
antes o tédio da paz de seu canto
do que o tédio do cotidiano

trânsitos
edificações
enquanto só quero
edificações imateriais

oníricas

vazias de tudo
mas veladas de alguns tons
solitudinais
vitais sem ser mesmo vitais

mas porque mesmo pensar
se encarregam-se de existir
o piar e o cair
da tarde apenas?