eu lhe dei amor
e você me deu o nada.
eu ainda estou
com seu cheiro.
o que eu faço agora?
nada
a não ser seguir,
escrever para não esquecer,
pra gravar,
mesmo que rememorar
esteja nos olhos;
ire pergeret,
sempre lembrarei,
sem saudosismo,
e com pura alegria.
sábado, 8 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
deus da chuva
cigarra não canta;
grita.
cigarra grita no ar;
no ar te perdi.
perdi o que nunca tive;
você e o ar da noite.
da cigarra só se tem o grito;
nunca é visto seu corpo físico.
seu corpo físico
é o canto do grito.
chove muito.
isto eu pedi para o deus da chuva.
deus da chuva.
gotas irrompem o que pontos calam.
gotas irrompem mais que palavras.
o grito da cigarra é o poema.
não a cigarra em si.
cigarra é o objeto
do poema que não é poema.
da cigarra não se vê
um palmo
do que seja corpo.
o corpo do poema não é a cigarra,
e sim o grito.
a chuva não é em si o poema.
o poema que não é poema
é o que se traz na chuva;
você desmaterializado.
grita.
cigarra grita no ar;
no ar te perdi.
perdi o que nunca tive;
você e o ar da noite.
da cigarra só se tem o grito;
nunca é visto seu corpo físico.
seu corpo físico
é o canto do grito.
chove muito.
isto eu pedi para o deus da chuva.
deus da chuva.
gotas irrompem o que pontos calam.
gotas irrompem mais que palavras.
o grito da cigarra é o poema.
não a cigarra em si.
cigarra é o objeto
do poema que não é poema.
da cigarra não se vê
um palmo
do que seja corpo.
o corpo do poema não é a cigarra,
e sim o grito.
a chuva não é em si o poema.
o poema que não é poema
é o que se traz na chuva;
você desmaterializado.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
terça-feira, 30 de novembro de 2010
mil perdão
partiu
coração
balão
de são joão
faz frio
redenção
uiva o cão
por pouco não
quebra a rima
mil perdão
espero que chova
para que eu não
chore
porque eu te amo te amo te amo.
coração
balão
de são joão
faz frio
redenção
uiva o cão
por pouco não
quebra a rima
mil perdão
espero que chova
para que eu não
chore
porque eu te amo te amo te amo.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
acerca de barroco e de verão
o cheiro do verão na noite da mata
dói
mata designada como selva
dói também
algumas palavras na língua hispânica
doem mais
do que o barroco do português.
embora o barroco doa também
pelo caratér errático da forma;
parece drama:
mas o verão no vagão da noite
tem cheiro de grama molhada
e cigarras perdidas no som.
dói
mata designada como selva
dói também
algumas palavras na língua hispânica
doem mais
do que o barroco do português.
embora o barroco doa também
pelo caratér errático da forma;
parece drama:
mas o verão no vagão da noite
tem cheiro de grama molhada
e cigarras perdidas no som.
domingo, 21 de novembro de 2010
codinome
Pier
se foi
Pier
substantivo próprio
Pier
substantivo meu
Pier
sobre o pier eu
te espero lançado ao nada
escrevo através dos olhos
é tarde é bem tarde.
se foi
Pier
substantivo próprio
Pier
substantivo meu
Pier
sobre o pier eu
te espero lançado ao nada
escrevo através dos olhos
é tarde é bem tarde.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
pedra de chuva
sinto quando vai chover
eu sei
sinto quando chove
é quando os olhos precisam
quando: aqui agora
cai a chuva
poupa-me lágrimas
deserto
estava tudo desértico
até que se engendrara
água desabara
em vida
caindo
da pedra do ar
à petala da terra
árida
minha
e do mundo inteiro.
eu sei
sinto quando chove
é quando os olhos precisam
quando: aqui agora
cai a chuva
poupa-me lágrimas
deserto
estava tudo desértico
até que se engendrara
água desabara
em vida
caindo
da pedra do ar
à petala da terra
árida
minha
e do mundo inteiro.
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