passarinho marrom e azul
de veludo
leia-se aveludado
é tímido
segundo seu telefonema
que eu lembro
faz cerca de um ano
objeto de angústia
lembrar do telefonema de quem amamos.
amamos seria romano
pelo tal.
terça-feira, 22 de junho de 2010
objeto de angústia
o abajur faz de si
o que for
o que seja
quando apenas
é pura bruma
seja meia-luz
esta
e só
é só
é tanta
tanto
átomo
de luz
conjugado comigo
e com o mundo inteiro
através de teclas
plásticas,
objeto de angústia.
objeto de amor:
deus e a natureza.
o que for
o que seja
quando apenas
é pura bruma
seja meia-luz
esta
e só
é só
é tanta
tanto
átomo
de luz
conjugado comigo
e com o mundo inteiro
através de teclas
plásticas,
objeto de angústia.
objeto de amor:
deus e a natureza.
domingo, 6 de junho de 2010
justificativa
atirei versos pela janela
atirei versos pela madrugada
escrever sobre absolutamente nada
é meu ofício,
justifica simbólicamente,
e faz com que eu me sinta útil
de maneira sobre-humana.
atirei versos pela madrugada
escrever sobre absolutamente nada
é meu ofício,
justifica simbólicamente,
e faz com que eu me sinta útil
de maneira sobre-humana.
escudo
este escudo não me cabe
em dor não se deve escrever
e eu só queria mar, também
ou palavra só pra que me leve à órla
à onda
da vida
ao que não seja essa dor angariada
desnecessáriamente,
é noite.
em dor não se deve escrever
e eu só queria mar, também
ou palavra só pra que me leve à órla
à onda
da vida
ao que não seja essa dor angariada
desnecessáriamente,
é noite.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
órla de ti
eu queria estar
na sua sala
com os abajures
em sua bruma
meia-luz
frente ao mar
na órla
na órla do teu sexo
entre as vidraças do edifício
entre a rua três mil e setecentos
na órla
na atlântica
na janela
onde mar engole
até os olhos
os olhos
de mármore
recôncavo
palavra recôncava
e eu deliro
e eu te amo
do mármore verde do chão
ao mármore dos teus olhos avelã.
na sua sala
com os abajures
em sua bruma
meia-luz
frente ao mar
na órla
na órla do teu sexo
entre as vidraças do edifício
entre a rua três mil e setecentos
na órla
na atlântica
na janela
onde mar engole
até os olhos
os olhos
de mármore
recôncavo
palavra recôncava
e eu deliro
e eu te amo
do mármore verde do chão
ao mármore dos teus olhos avelã.
embora verseje
o ponteiro
é inimigo da perfeição
do poema
é inimigo do silêncio
da madrugada
antes que nasça
o dia
antes que a manhã
substitua a letra
o verso
pelo sol em luz
em aurora
sou eu incapaz
de armar
um verso bonito
se contra o ponteiro
que corre
contra a inspiração,
o vazio
o tempo
o nada
o infinito ócio de que preciso
para armar um bom verso
que justifique meu dia
e eu não posso me revelar
de modo que o mistério
do poema que não é poema
sucumba na terra
embora ainda verseje.
é inimigo da perfeição
do poema
é inimigo do silêncio
da madrugada
antes que nasça
o dia
antes que a manhã
substitua a letra
o verso
pelo sol em luz
em aurora
sou eu incapaz
de armar
um verso bonito
se contra o ponteiro
que corre
contra a inspiração,
o vazio
o tempo
o nada
o infinito ócio de que preciso
para armar um bom verso
que justifique meu dia
e eu não posso me revelar
de modo que o mistério
do poema que não é poema
sucumba na terra
embora ainda verseje.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
liz no peito
liz no peito
sua voz
está quase feito
albatroz
rima pela rima
madrugada
há certa preocupação
não dá para escrever
hoje podou-se uma flor
que eu vi
hoje eu defendi uma abelha
pelos olhos
hoje eu não tive febre
hoje fez frio
corpus christi
dia branco
eu não sou cristão
eu estou a deus
como uma pomba está
amanhã é dia
volto pra hoje
em lembrança
divagar
na letra
no ar
na asa
na andorinha que não há
faz frio
inverno
nos olhos
nos verdes olhos escuros
de cor de musgo e de avelã.
sua voz
está quase feito
albatroz
rima pela rima
madrugada
há certa preocupação
não dá para escrever
hoje podou-se uma flor
que eu vi
hoje eu defendi uma abelha
pelos olhos
hoje eu não tive febre
hoje fez frio
corpus christi
dia branco
eu não sou cristão
eu estou a deus
como uma pomba está
amanhã é dia
volto pra hoje
em lembrança
divagar
na letra
no ar
na asa
na andorinha que não há
faz frio
inverno
nos olhos
nos verdes olhos escuros
de cor de musgo e de avelã.
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